terça-feira, 17 de julho de 2012

Novo, de novo


Quem me lê do Brasil talvez não saiba. No Québec há uma lei não escrita sobre mudanças.Todo mundo – tá bom, vai 98,9% do povo – se muda no dia 1º de julho .É quando vencem os contratos anuais de aluguel. As empresas transportadoras ficam sobrecarregadas, os preços das entregas sobem e as calçadas cheinhas de utensílios domésticos abandonados . É a renovação a olhos vistos.  
Eu também me mudei. Não no dia primeiro, esperta que sou entendi que uns diazinhos antes ou depois da bendita data mudança é mais tranquila. O importante é ter amigos dispostos a ajudar. Só o espírito do novo é que não muda.
A minha última grande mudança foi da casa do meu pai, em Salvador, pra minha casa na mesma cidade – ô  pessoa sem criatividade ;). Depois dessa, pensei que só mudaria pra um apartamento maior, coisa e tal. Ou de estado no melhor espírito “Minas Gerais, aí vou eu!” #sonho. Engano meu. A aventura no Canadá aconteceu e essa mudança foi linda e louca. No fundo, sou mais uma retirante nordestina. Só que em vez de pau-de-arara foi um pássaro de metal que me trouxe. Enquanto sigo por aqui, sigo também o fluxo das mudanças. Tudo novo até que outro novo venha e eu reinvente uma rotina e canse dela novamente.:)


'Céu de casa' em Salvador: No teto inspiração oriental e no verdinho da parede Guto Lacaz.



Nova  Montreál: Entre outros quadros, minha obsessão por Carmen Miranda. 
Sem deixar de lado o Guto


PS
Ah, o dia 1° de julho é também o dia do Canadá. Festa Nacional, diriam alguns.Não, não. A Nação Québecoise – de canadense franceses não está muito lá interessada nisso. Coisa de soberanista,claro. Corre à boca pequena que o dia da mudança por aqui foi bem estimulado e incentivado pra data perder a importância cívica por aqui. Teoria da conspiração? :P

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Le Marché des Arts


No começo do mês de junho eu participei do Mercado das Artes aqui em Montreal. Era o fim-de-semana da Fórmula 1 e a primavera estava naquele clima de quase-verão. Vi a proposta no site do regrupamento de artistas visuais do Québec e arrisquei a inscrição. Passada a seleção, tínhamos direito a um quiosque que seria compartilhado com 3 artistas. No fundo, parecia uma feirinha das nações de escola de secundário :). O interessante foi ver que tinha muita gente passando, descobrindo a minha arte, abrindo um sorriso ao ver uma junção inusitada de imagens meio loucas.
Fiz contato com outros artistas que dividiam a barraquinha, me diverti vendo os amigos passando – SMACK! aos que pararam e falaram comigo – e outros seres exóticos do préverão também. Me surpreendi (surpresa boa, com olhos de baiana desconfiada) vendo meu nome no Totem do Tableau Noir (dã!) e ao vender 4 (eu disse quatro, minha gente! :P) trabalhos meus.
Um bom começo, né não? ;)

Ah, meu bolog de colagens: www.diariodecola.blogspot.com


*No canto esquerdo, duas fotografias do artista Gera Cravo, que dividiu a banca comigo
*No varal à direita, também uma foto do Gera


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Árvores (II e meia)


Era já primavera e a região de Danforth resolveu colocar sua manguinhas de fora. Arte na rua! Sorte minha de estar lá! A árvore pertinho da minha ‘morada’ foi objeto de uma intervenção singela: pendurar desejos, vontades, votos e pensamentos nos galhos como se foram frutos. Frases que ficam maturando no vento. Como que pra pegar gosto, virar verdade com o tempo.
Uma menina recebia ‘encomendas’ com uma máquina de escrever dessas bem antigas — deu saudades  da minha máquina azul:P — vc dita a frase depois pendura num galho qualquer da árvore. Além dos ‘dizeres’, a árvore também ‘deu’ gente curiosa olhando toda aquela genialidade simples e certeira – euzinha aqui! E, claro, tinha gente lá querendo fazer sua própria encomenda. “Art makes me happy” ** li em uma das etiquetas. E assim se faz mais uma árvore feliz!
Acho que uma outra árvorezinha precisava de uma intervenção similar...

"And the tree was happy" *
Tão vendo?
E o que eu escrevi pra pendurar no galhos da prima dela em Danforth? Ah, isso é segredo! :).




Torontinho: #beijomeliga!


* e a árvore era feliz? foi feliz?tava feliz? alguém me ajuda! :p
** arte me faz feliz...tradução livre,leve, solta e desempedida.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Eurocopa

A cidade se dividiu entre Espanha e Portugal hoje à tarde.Eu, que adoro futebol, a-me-i o clima. São duas comunidades culturais presentes em Montreal. O caso é que os portugueses sem dúvida são maiora.
Meu vizinho enfeitou a fachada e me preparou para o espetáculo: "É hora de separar os meninos dos homens". Ele tava certo. Deu Fúria :P


terça-feira, 26 de junho de 2012

Árvores


Estive em Toronto. Com olhar de turista e caderninho de notas a tiracolo, inevitável a comparação entre a maior cidade do Canadá e a maior do Brasil: Toronto e São Paulo. O objetivo da viagem era mais que certeiro: ver a exposição do Picasso no Museu Nacional. Não que eu entenda de arte. A minha relação com ela é muitas vezes de puro deleite e nem sempre carece explicação :). Afinal, “Gostar, ultrapassa o inteligível” já avisou a escritora Clarice Lispector.
Pelo que senti dessa minha primeira ida à capital de Ontario, ela tá super fora desses estereótipos de cidade grande e fria. Essas duas palavras andam quase sempre juntas quando se fala de uma metrópole. É como ao dizer que um assassino é frio. Alguém vai corrigir: frio e calculista:P.
Na casa em que fiquei hospedada, bairro pertinho da praia –o grande lago Ontario estava coladinho, coladinho – todo mundo foi mega simpático. Do caminho de ‘casa’ até o metrô ouvi uma sinfonia de ‘morrrning’ e acenos. Lá no guichet, o carinha super simpático sugeriu um pacote de bilhetes pra quem tava só por uns dias na cidade. E quando caí da bicicleta e me ralei toda, três pessoas de materializaram na minha frente assim, “zupt!” pra tentar me ajudar, pode?
Além de descobrir que Picasso é nordestino – ô rapaz pra gostar de cabras e nonnordeste, toda cabra é um bode! :P – descobri os street cars. A confusão visual que eles provocam no céu de Toronto me fez lembrar São Paulo. Mas se Sampa fica confusa pra ser moderna, Toronto fica confusa pra guardar sua tradição. A presença dos tais bondinhos me lembrou Nova Orleans também – ainda não fui, mas tá na lista.
Quer saber? Eu moraria lá. Encantei-me com o bairro Chinês (ou oriental, vai). Lá comprei um leque igualzinho ao que usava em Salvador na Avenida 7 de Setembro #vivaaglobalização.
Lá também tem a rua maior do mundo, a Younge Street com cerca de 400km. Ai, essas coisas com cara de ‘pra sempre me dão aflição’ :P
 Me encantei também com as árvores. Mas isso é conversa pra o próximo post. :)

Um booonde chamado desejo.

Esse fios de aço não parecem feitos pelo homem aranha?

A casinha parece enfeite de bolo de criança...e esse hidrante amarelo,hein? Fofo!







                                        

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sol e preguiça


E virou verão! Tanto que pra comprovar essa afirmação o sol deu uma espichadinha maior no hemisfério norte. Os especialistas chama isso de solstício :). Depois de fazer um tanto de pesquisas na net pra explicar o que é atualmente solstício – nesses tempos de tecnologia e de novos conceitos, vai que o termo técnico mudou e eu me desatualizei, né?Já viram que Plutão nem é mais planeta, tadinho? – com o coração aliviado li que a definição permanece a mesma. E que os livros de geografia do meu tempo não mentiram :). A palavra vem do latim: soltitium = sol parado .
Numa definição simplificada... é quando o sol tá de preguiça.Ele atinge a máxima inclinação a norte do equador celeste e vai ficando um bom tempo por ali, pede uma cerveja, um camarão no alho e óleo... essa coisas. Assim ele produz o maior dia do ano, dia de maior presença do sol para os mortais desta banda do planeta.Viva!
A data é móvel e me confundiu a cabeça. Achei que era dia 21 de junho, mas neste ano alguém me atualizou: foi no dia 20. Distraída, eu?
Foi nesse clima verão que fui ao Velho Porto ver a novíssima praia do Rio São Lourenço. Eles colocaram areia fina, algumas cadeiras pra fritar ao sol e guardas-sóis ou sombrinhas (se vc é carioca com mais de 50 anos) – desculpa mãe, revelar a sua idade :P –  o resultado é pitoresco... digno de um quadro dadaísta.
É que não se pode cair na água. É só pra virar lagartixa ou frango de padaria :). Pra mim, que vai à praia só pra mergulhar, toda equipada com pé-de-pato e tubo #melhoramigadoflipper é um pouco sem sentido. Mas já que o sol tá sorrindo, eu vou aprendendo. E sorrindo também.



Que gracinha, tudo combinandinho!

Aberta pra sempre, até o final do verão!
Só não pode nadar :)
Quem vem?
Festa do soltício eletrônico para celebrar o sol!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Formigas ou Sorriso de primavera


Vocês podem não acreditar, mas sabem como eu me dei conta de que o inverno foi s’embora? Quando vi uma formiga passeando aqui no chão de casa. Até tinha esquecido que eles existiam!
Depois, notei que tinha uma ou duas semanas que eu não olhava a previsão tempo #byebyemeteomedia :) . E que ,aos pouquinhos, tenho dado uma piscadinha pro meu casaco de temperaturas meganegativas – pra que ele não se sinta carente no canto do armário.
Na verdade, notei toda essa atmosfera de botaforadoinverno quando vi as pequeninas passeando pela casa. Um cisco negro se movendo pra uma míope desprevenida pode ser tanta coisa,né? Só uns 15 segundos depois foi que liguei o nome à ‘pessoa’. “Mas, isso é uma formiga,gente!”
 Me veio logo a ideia de uma formiga como um gaijin*. Estrangeira nessa terra do gelo. Ausente pelos seis meses de temperaturas baixas. Esquisita em formas e em propósitos. Como um ocidental na terra do sol nascente, sabe?
E depois, pra que arejar a terra e carregar grãos feito loucas se quase tudo vai desaparecer com o inverno? Se as gramas verdes serão um todo branco sem fim? O que elas fazem entre nós, animais que não ‘abandonam’ o barco? Ou serão tais insetos algum tipo de urso minúsculo que entorpecem no inverno como os outros? Hum...não. Elas não têm o direito de sumirem e depois voltarem assim de cara lavada, como se nada tivesse acontecido. Além do mais, existem ursos polares que atravessam os invernos e não existem formigas polares – quem tem essa informação aí, levanta a mão, por favor! :P
Mas, não se esqueçam: quem escreve isto aqui é um animal do sul. Que ainda fotografa na mente a paisagem que não muda dramaticamente. Que ainda guarda dificuldades em entender o ciclo drástico da natureza pra poder resistir às mudanças impostas por ela mesma. Pertinho do equador é tudo tão diferente...  Isso me dá o direito de pensar tortamente que as formigas são estrangeiras nesse mundo. Nesse mundo de agora, porque no de  amanhã, eu já nem sei :). 

Diga 'xis'!

* é o nome dado a quem é estrangeiro no Japão