quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nossa Senhora da Bixi

Ano passado comprei uma bicicleta, mas acabaram furtando meu pneu dianteiro. Uns amigos apontaram meu erro: deveria ter posto dois cadeados na magrela; um que trancasse o próprio pneu no corpo da bicicleta e outro que a ligasse ao local onde ela estivesse estacionada.

Ao invés disso, optei por provar a bixi. Já falei dela em alguns posts aqui no gelinho. É um tipo de bicicleta pública. Alugada por até 45 minutos em cada utilização. Está disponível em algumas estações ao longo da cidade. Você pode ser ‘assinante’ e pagar por um mês, um ano ou mesmo um dia. Os preços variam até $ 70,00 por um ano – que dura da primavera até o outono – foi o que eu fiz.
A coisa é mais ou menos bem relax. Já que teoricamente você não se preocupa em onde estacionar a bichinha, ninguém vai furtar...rs no entanto, vai ter que se preocupar em saber se a estação mais próxima do seu destino vai ter um ponto pra vc encaixá-la.
As estações são pontos de retirada e retorno de bixi. Só que...pode acontecer de vc chegar lá e não ter bikes disponíveis ou ir devolvê-la e não ter espaços vazios também. :(
Em cada estação tem um totem. Nele há uma tela onde se pode investigar as estações de seu destino (um cardápio de 8 em geral nas redondezas) assim vc verifica se vai dar tudo certo ;). Ou então, pedir mais 15 minutos de tolerância sem ser penalizado. A penalização? Salvo engano, cerca de $1,00 por cada minuto a mais utilizado. Salgadinho,né?
Ah, mas tem um aplicativo i-phone onde vc pode investigar a situação dos pontos bixi. Pra quem tem, é uma mão a roda. Acontece que...nem sempre esse aparato eletrônico funciona. Eu falo por mim, que sou órfã de i-phone e confiei nas informações do totem.
Na telinha-bixi, a informação era que a estação pertinho de casa tinha um lugar disponível pra qu’eu depositasse a magrela. Chegando lá, tinha...mas por algum quibrocó eletrônico a bicicleta não era computada no sistema deles. Acreditam nisso? #sócomigo. Daí eu liguei pro serviço de atendimento ao cliente. E nesse momento tenso, esperei uns 40 minutos pra falar com uma viv’alma. Ok, ok expliquei o problema, era olhou o sistema e avisou que tava rolando um problema, uma coisa qualquer e me deu a solução: “Leva pra casa!” Eu Cho-que-i! Como assim leva pra casa? “Sim, a senhora leva a bicicleta pra sua casa, no outro dia deposita em uma estação e liga pra gente informando. Não se preocupe que não será penalizada financeiramente.”
Eu não! Tá doida? (a segunda parte eu não falei, mas saí rodando pelo bairro tentando encontrar ponto bixi por aqui.) Alguns 20 minutos depois encontrei um técnico da bixi com um caminhãozinho cheio delas. Explique o caso, com os olhos arregalados ele falou que eu poderia deixar lá com ele, que se dirigia pra fazer uma manutenção em uma estação próxima. Acabei deixando a bixi na dita estação. Em seguida liguei pra mocinha dizendo que não ia dormir com a bichina não, que tava tudo resolvido. Ai, que meda. Bom que no final, deu tudo certo. UFA! ;P.
Moral da estória? Qdo vc pegar uma bike, assim que desencaixá-la da estação, faz uma oraçãozinha pra Nossa Senhora da Bixi. Que ela guie seus caminhos e permita que você encontre um lugarzinho pra depositá-la perto do seu destino e nunca nos desampare!#aomodoancelmogois.

O painel com as instruções de como usar a 'bixinha'  
Seria bom se a informações fossem 100% confiáveis :P



sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Viagem de trem II

De tanto ficar de olho no site da viarail, encontrei um precinho feito pro meu bolso. Daí, voilà, decidi ir de trem pra Ottawa. Achei lindo todo aquele protocolo de viagem que a gente costuma ver ligado a viagem aérea usado pra uma viagem terrestre. A estação lotada, os painéis eletrônicos, as filas, os guichês, enfim, aquele ponto de partida pra qualquer lugar do mundo. Exageros à parte, a viagem de trem tem um quê romantizado pelos filmes e livros, tem um quê de antigo e doce. De memória perdida.  Eu me senti dentro de uma canção do Tom Jobim.

Lá estava eu, dentro de um trem azul vendo aquelas paisagens de filme norte-americano. Fazendas amareladas por plantações de milho; quadrados de fenos jazendo em solos cansados; cidades perdidas entre postes feios e estações degradadas; florestas e bosques nórdicos sorrindo do lado de fora da janela. Parece uma grande pausa de apreciação do mundo.
Viagem de trem pode dar uma sensação aguda de que a vida é um resumo de chegadas e partidas. Mas dá paz também. Assim como um frisson em saber que toda essa novidade é pra um pequeno deleite no Museu de Belas Artes de Ottawa.
Ah, como tudo tem seu lado bom e seu lado ruim, aconselho a quem for viajar que leve um lanchinho. Já que a outra opção é pagar pelo lanche servido pelas comissárias de bordo ;)
Tem também o fato da composição parar dando preferência a outra quem viaja em sentido contrário. Isso pode prolongar a viagem em alguns minutos, o que pra mim significou prolongar o prazer :)).



sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sorriso de verão II

Sabem aquelas máquinas captadoras de energia solar? Aqui tem aos montes. Embora a energia solar não venha com tamanha intensidade de um país tropical.

São radares, painéis eletrônicos de toda sorte, alimentadores de pontos de estacionamento... As estações de bixi (as bicicletas de aluguel) são também alimentadas por energia solar. Não tenho ideia do quanto isso custe. Humildemente imagino que mesmo que custem os olhos da cara, os investimentos devem fazer sentido ao longo dos anos. Me pergunto porque no Brasil não temos sistema equivalente já que o sol está lá em 95% do ano (?).
Bom, até o verão que vem ;)

Olha ela aí, fazendo cara de 'árvore eletrônica'!
Olha mais de perto! :P

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Viagem de Trem I


Mês passado andei de trem pela primeira vez aqui no hemisfério de cima. Fui a Ottawa.

Se a desculpa pra ir a Toronto foi a exposição de Picasso, a desculpa pra ir a Ottawa foi ver a exposição de Van Gogh. Chamada de “Van Gogh de perto”, ela exibe alguns trabalhos do Vicente. Desde os primeiros em Paris, quando aos 27 anos decidiu ser ‘artista’ até os que realizou no finzinho de seu dias.Eu achei tudo lindo, tudo difícil de não gostar. Incluía também algumas influências do pintor como gravuras japonesas. Algumas coisas nessa temporada no Canadá têm me deixado intrigada (e ainda não estou certa se é essa a palavra) : É que muito do que vejo não é bem novidade, mas confirmação. Hoje em dia a gente tem tanto acesso a tudo pela internet ou por livros mesmo – já que os importados estão super acessívies – que quando nos deparamos com a coisa real – neste caso um quadro – parece mais uma confirmação do tipo “Ah, ele existe mesmo!”. É como se um sonho bom fosse real só que com outras dimensões reveladas. É mais ou menos isso...
Já tinha visto um VG antes em Sampa, mas nunca tantos jutos num mesmo espaço. Lembrei de novo do livro que li a tanto tempo (presente da minha querida amiga Fernanda ), de como eu era de como eu sou.
E vi os traços do pintor não como uma novidade mas um reencontro. Era bonito, inovador e tão moderno que eu, que não entendo nada disso gosto de gostar. É honesto. É verdadeiro.
Além das cartas que li, lembrei da novidade que surgiu no fim do ano passado sobre o pintor. É que na verdade, ele não teria se matado. O bom homem foi vítima de um ‘tiro acidental ‘ de um jovem amigo. E no calor do acontecimento, não quis dizer a verdade e incriminá-lo. Morreu sem dizer o que te fato houve. Como quem sabe dar a importância certa às coisas, como quem vê para além do que a gente vê.
Um dos quartos que tive quando ainda morava com meu pai em Salvador era uma cópia idêntica do quadro quarto deVG em Arles. A cor da parede, a cor e disposição dos móveis...quase tudo. Me parecia mágica e gigante a mente do gênio mas perfeitamente habitável e convidativa.
Agora, estava eu novamente diante das cores que improváveis – ao menos antes dele – significavam tronco, grama, parede, flor, detalhe. E o melhor é que eu vim de trem! Mas isso é assunto pra outro post!
Ah, deu na Elle Québec a expo do Van Van ;).

                                                
                                                        
                                    
                                        


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Eu e o Adriano

Foi mal. Fiquei de novo postergando as minhas aparições por aqui. Ando sempre com minha maquininha fotográfica e meu caderno de anotações. Tudo que é bobagem eu anoto, desenho, colo. Como 98,5% é muita bobagem acabo não postando, os 1,5% restantes (olha como tou boa em matemática :P) guardo pra depois e o tal depois quase-nunca chega, ou vem chegando num ritmo diferente do que eu gostaria.
Aceitem essa desculpa original e sincera de bom grado. E por favor, não me demitam! :D
Outro dia acompanhando as notícias sobre futebol #ovicio - como drama pouco é bobagem, acabei me identificando com o pobre do Adriano (aquele do Flamengo!). Guardadas as devidas porporções... como eu em outro post perdido por aqui jurei  - sem cruzar os dedos nas costas ;) - que escreveria com certa frequência - mesmo só pra dizer que o meu mundinho continuava girando - o Adriano também jurou melhorar seu comportamento lá no clube...
Meus amigos do Brasil acharam graça  e diseram que iam cobrar. A brincadeira é uma espécie de acordo de vontades de não ficar assim tão longe, sabem? Mas, aí...eu me passei e o tempo também passou e... ehehe não vou 'prometer' mas...vou tentar me comportar mais direirtinho! :P.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Grafites


Quem não papeava do lado de fora da sala de aula durante o curso de química, vai lembrar da ‘irmandade’ entre o grafite e o diamante. Eles são Alótropos, ou seja, têm o mesmo elemento químico: o carbono em arranjos diferentes. #sabichona :)
Percorrendo as ruas da querida Montreal, fico de olho nos muros da cidade. Na verdade, não são bem muros, são empenas (aquelas paredes laterais dos edifícios). As sem janela e portas dão quase sempre um show. Parecem que não querem só ser paredes, querem fazer graça! São imagens inesperadas com efeito de um 'cafuné visual'... Enquanto espero o sinal esverdear olho pro lado de lá e ....uaauu uma imagem me convida a viajar por alguns segundos sem tirar os pés dos chão.
Tem quem ache que arte de rua não é arte não. Que grafite é sujeira, é uma confusão de carbonos que não deu certo. Já eu, acho que esse negócio de se expressar tá com tudo. Que dá pra perceber quando o arranjo deu diamante. A gente sente,né? Porque é resultado de uma verdade interior que precisou ser dita. Que precisa dialogar de alguma maneira, para a vida ser leve, inesperada e certeira.
E o nome da cidade é...Grafite! :P


* Sei que as imagens mostram grafites e colagens, resolvi chamar de grafite o genérico de arte de rua se vcs não se importam ;).

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

David Lynch Party


Em julho, na região do Mile End houveram diversos encontros para assistir filmes do mestre do non sense, ou do cinema-sonho: David Lynch.
A cada semana, um pessoal doidinho que só – incluindo eu, só que disfarço bem ;) – ia ao bar pra assistir a um filme do Lynch.
Me fez lembrar a minha época de faculdade. Com um pessoal mais próximo, que atuava no centro acadêmico também organizávamos sessões do mesmo gênero. Foi assim que assisti ao Homem Elefante e Veludo Azul... Depois descobri que esse David era o mesmo da série Twin Peaks que eu acompanhava na TV. Não demorou muito pra ficar de olho quando um filme do Mister Sonho entrava em cartaz no circuito ‘de arte’ em Salvador. No final das sessões eu ficava com aquela cara de ‘não é possível, que é que esse cara tá querendo com esse filme?Que é que ele tá querendo comigo?’ Fiquei com  essa cara de tacho  principalmente em A Estrada Perdida e Cidade dos Sonhos. Uma História Real eu perdi e fiquei com vontade de ver agora, enquanto escrevo aqui :). 
No dito barzinho, no final da série de exibições rolou a celebração Twin Peaks! Foi um concurso de fantasia e apresentações de alguns covers de musicais dos filmes. Eu achei tudo muito divertido e mega engraçado. Não sou só eu a louca a gostar do DL! Talvez seja eu #aloka de gostar sem entender muito bem :P. O troço é que ele tá aí pela minha vida. Não posso negar isso, ora bolas! Quando acontece algo estranhão eu penso: coisa de DL. Tou num filme dele, minha gente! Foi assim quando mergulhava no porto (com meu tubinho) e um companheiro de mergulho (com oxigênio) falou que tinha visto um cavalo com as patas amarradas no fundo do mar. Aquela imagem nunca vai sair da minha cabeça. É David Linch puro... emoldurado com o mar azul de realidade. 
Beijomeliga, Laura Palmer! ;)