sábado, 11 de junho de 2011

Vida

Este blog não é jornalístico, mas tenho que mencionar o acontecido no último dia 7. No centro da cidade, perto da Universidade do Québec em Montreal (UQÀM) duas pessoas morreram e uma delas recebeu uma bala perdida. Isso mesmo, a ‘especialidade’ dos chamados países em desenvolvimento. Sabemos bem que infortúnios acontecem em todos os lugares do mundo. Infortúnios desse tipo, ainda bem, causam algum choque embora não seja lá uma grande novidade.
Segundo fontes, um sujeito com uma faca revirava uma lata de lixo e em algum momento, ameaçou alguém com a tal arma branca. O ‘ameaçado’ informou à polícia o ocorrido, a polícia por sua vez foi à caça do ‘meliante’ (ufa...definitivamente não tenho talento para estórias policiais) desferindo assim alguns tiros durante a ação. As balas acertaram o alvo e também um transeunte, um cidadão comum que passava na hora errada no lugar errado. Os dois atingidos morreram. Os policiais envolvidos foram levados em estado de choque para o hospital. 
Sem comentários.
No dia seguinte houve manifestação popular sobre a truculência e o despreparo policial. Ontem mesmo, uma reconstrução do crime – e mais manifestação. A imprensa, claro, fez do fato um acontecimento a ser repetido à exaustão.
Poucos momentos depois do ocorrido, eu estava no local sem saber de coisa alguma, apenas porque coincidentemente, tinha lá um compromisso. Vi uma movimentação estranha, mas jamais imaginaria que há poucos minutos atrás duas almas haviam se desprendido de seus corpos. Incrível como em um segundo você está, e em outro não mais está neste mundo. Em qualquer instante TUDO pode mudar. Para o bem e para o mal. Esse é o jogo da vida, eu sei. Confrontar-se com ele numa tarde ensolarada é – no mínimo – desconcertante.
Para quem quer saber mais.

Colagem desta blogueira que vos fala ;)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O Outro

Pra quem quer me ver - além de ler também - tenho um blog de colagens: http://www.diariodecola.blogspot.com/. Desde agora, agradecendo a visita :)

sábado, 4 de junho de 2011

Balançoires

Na Praça das Artes, Bairro dos Espetáculos , alguns artistas se juntaram para promover a cooperação. Instalaram 21 ‘Balançoires’ que, ao serem balançados, acionavam singelas notas musicais.  Na medida do embalo as notas iam acelerando e formavam uma espécie de canção como resultado da nossa cooperação. Bonitinho. Divertido e fofo. Antes de sentar, recomenda-se ler as instruções: Não balançar muito alto, nem muito veloz, nem muito forte. Ou seja, não se divertir, né gente? :P
Diante disso, acabei criando as minhas próprias regras: alto, forte, rápido e ao som de uma boa música eletrônica. E tenho dito.

Delana, quase voando do balanço, por Leo Santana

Delana no modo impressionista, por Leo Santana :)

foto de Christina Gunn



A tal da Bienal ou a tentação do acaso

A bienal de Montreal começou em 01 de maio e terminou no 31 do mesmo mês. Antes do apagar das luzes, fui dar uma olhadinha e achei tudo muito criativo e interessante. Mas, nada, nadica que se compare à enorme Bienal de São Paulo. A cidade não celebrou tanto a festa da arte contemporânea como eu pensei que o faria, ou sou eu acostumada àquela mancheia de publicidade que sempre tem esse evento no Brasil?

O tema da Bienal foi o clássico poema do escritor Stéphane Mallarmé: “Jamais um lance de dados abolirá o acaso” no Brasil ‘transcriado’ por Haroldo de Campos autor do genial livro-poema Galáxias.  A notícia de que Mallarmé seria o mote para a Bienal me fez ter saudade de quando ouvi pela primeira vez o poema e escrevi num dos meus cadernos de recortes e desenhos que deixei no Brasil. Também de quando li os seus Contos Indianos e descobri na introdução que Mallarmé queria chegar à abstração de inventar uma palavra que não teria significação em língua nenhuma Fiquei tão impressionada que poderia entrar uma mosca na minha boca! Coisa de louco, rapaz... A palavra como imagem, as suas experimentações com o livro como objeto... aquilo...ainda no final do século dezenove me fascina  desde sempre. Mas não vou chatear vocês com divagações pseudofilosóficas, sobre essa abstração toda. A abstração afinal,e stava lá na Bienal. Paradoxalmente, para todo mundo ver e pegar.Nham,Nham!

O que mais me chamou a atenção:
Um Totem,adivinhem de que?De colagens...cheinho delas (estava quase tirando uma foto quando a mocinha simpática avisou que era proibido...droga!) no topo dele a bela frase: ‘Do stupid things, forget perfection’ nem precisa avisar, né?
Tinha também uma sala com paredes brancas e confetes feitos de páginas de livros de grandes escritores...a velha desconstrução da arte, resignificação das coisas...ok,ok a arte não precisa ser necessariamente criativa, só ser, comunicar, seduzir e deixar ver o que vai acontecer.
Me chamou a atenção o vídeo ‘Imobilidade’, que falava sobre a impressão de que se tem das coisas à primeira vista, ao primeiro olhar. E cheguei à conclusão de que essa tal impressão é tão abstrata, tão baseada em coisa alguma, que é feita do mesmo material de um sonho. Bingo!
Gostei também da projeção de palavras num quarto escuro com uma ventania de fazer voar pensamento e um anemômetro. Dava uma sensação de...tempestade de palavras. Algumas voavam pelas paredes, se deslocando como pássaros, outras ficavam ancoradas como barcos e de repente voavam como foguetes. Que nem palavra que fica na garganta com vontade de ser dita, mas com vergonha de se mostrar.
Queria dizer mais algumas coisinhas, mas ... lá vem o metrô me chamando...Marcamos um encontro então para o próximo post?

 


‘Sans les autres Il n’y aurrait pas de hasard’, segundo um artista participante. Hmmm...será?
 (Sem os outros não haveria o acaso)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Drummond Street

Não é sempre que atravessando a rua numa cidade no meridiano 76° norte, a gente vai pra Minas Gerais. Mas acontecei comigo. Do lado de cá do Monte Real, como que numa rua qualquer de Belo Horizonte, o cenário perfeito: Uma montanha, um vento a eriçar a nuca e uma Rua chamada Drummond...
Tem um tempinho, visitei Minas Gerais com a vontade de lá viver, mas naquele momento as coisas não avançaram. Voltei pra Boa Terra com a vontade guardada de um dia lá me estabelecer definitivamente. Claro que me perguntei se conseguiria morar numa cidade sem o Mar de Caymmi. E muitas vezes. Se conseguiria viver sem brisa, sem cheiro de maresia, sem o mergulho com pés de pato e óculos para ver os peixinhos amarelos do Porto da Barra. Por enquanto, tenho passado no teste por aqui. 
Montreal não tem mar - é o caudaloso São Lourenço que faz as suas vezes - mas tem muitas gaivotas e muito vento. Relendo “Cem dias entre o Céu e o Mar” do Amyr Klink penso nelas como as companheiras da ‘solidão’* e tenacidade de quem decidiu traçar um linha entre  Luderitz (Namíbia) e a Baía de Todos os Santos (Brasil). Aqui entre nós, acho que a minha linha é também ao meu modo meio desbravadora.
 E os ventos? Lembram um tantinho os que derrubaram a casa da Dorothy na fábula do Mágico de Oz de  L.Frank Baum . Vêm do nada, como que chamados por um assovio e se vão com a mesma naturalidade e velocidade de quem pode tirar um cisco do olho da Estátua da Liberdade.
E a rua Drummond nisso tudo? Infelizmente, não foi uma homenagem ao nosso poeta moderno, de poesia destrambelhada – como afirmou Fernando Sabino – foi homenagem a uma moça, esposa de grande comerciante anglófono, a Jane Drummond. 
Pouco me importa. Pra mim, é a rua do poeta brasileiro da cidadezinha de Itabira. Se pedissem minha opinião, pra ‘incrementar’ a rua ia botar um pipoqueiro na esquina, pão de queijo no bar mais próximo, doce de leite para adoçar a vida e poesias do Drummond como grafiti nos muros. Depois, ia ensinar aos transeuntes como se fala com um gostosíssimo sotaque mineiro: “In the middle of the Road, a pedra”, uai. 
E o meu coração continua.


* Amyr não fala propriamente em solidão no livro e sim em ‘ser atacado de uma voraz saudade’ :)

Dedicado a Antonio. 

A minha rua do Poeta ;)


domingo, 8 de maio de 2011

Montreal III

A palavra é...ro-ta-ti-vi-da-de .
Montreal, a cidade que diz ‘sim’ a quase todos, é contente de ver seus quase-filhos partirem.
Eles ‘pousam’ para estudar um idioma, fazer dinheiro durante um período determinado, um curso na universidade, uma formação qualquer e partem novamente.
Montreal não tem ciúmes, não tem saudades, não se sente deliberadamente usada como um chiclete que perdeu o sabor e foi lançado na lixeira do passado. Ela sabe que é assim mesmo, que a vida tem dessas coisas. ;)
O Dj de Vancouver que veio tocar e aprender francês, o parisiense economista que veio fazer um pé de meia para uma viagem ao Iêmen, um argentino sem rumo que veio provar um pouco da vida no norte, o fotógrafo grego que depois de passar dez anos por aqui, resolveu voltar pra Mikonos. Montreal sabe que as coisas mudam bem antes que se muda uma lua. E por ser tão acolhedora e impessoal, ela se deixa ser gostada.
E perdoa. Os que voam para o Sul, como mariposas atraídas pelo sol, não derretendo suas asas como Zeus o fez com Ícaro. Aceita que eles voltem sem o troféu de quem venceu o inverno. E os (re) acolhe.
Se deixa plenamente ‘gostável’. No seu nomadismo delirante, na sua noite situada entre a tensão e o alívio das mãos que se desenlaçam. No desconhecido que vicia, como um trem desgovernado.              

Prédio no centro da cidade.Quantas mariposas voltaram?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um quase Post sobre Eleições

Tinha reunido algumas informações sobre a política partidária por aqui. Primeiro sobre o sistema Político, que é Monarquia Parlamentarista, depois sobre o sistema de votação e em seguida sobre o esquenta pré-escrutínio. Mas, foi passando o tempo e fiquei sem dar as caras.
 Então vou resumir um tantinho: as eleições se deram de 2 de maio. Isso mesmo, segunda-feira. Os votos aqui são facultativos. Necessário ter no mínimo 18 anos e, pasmem: os prisioneiros podem votar. Ao contrário do Brasil, os direitos Políticos não ficam suspensos depois do trânsito em julgado (quando tem-se a decisão final do magistrado) nem quando se está em prisão preventiva.
Isso é que é a tal da Democracia, né? O Primeiro Ministro e os Deputados (Câmara dos Comuns) estavam sendo reavaliados pela população. O Resultado foi, diria, acachapante: o Harper, atual Primeiro Ministro, foi reeleito. Não entendi nada... estavam todos pedindo mudança. Falando alternativas possíveis como NPD ou Bloc Québecois...
Ainda no finzinho acusaram o Harper de possível retrocesso na Lei que garante o Direito ao Aborto (lembram do tema Aborto na caça às Bruxas para derrubar a campanha de Dilminha? - Dilma Roussef), chamaram-no de reacionário...mas o cara fincou os pés em Otawa. Acabou!
Acho que as discussões antes dos votos foram mais, bem mais interessantes que o próprio resultado. Ou talvez isso seja coisa pra Canadense ver...
Gostei mesmo de ver a primeira deputada do Partido Verde eleita e o rebuliço de ver um grande número de deputados do NPD no páreo. Há quem diga que o assassinato de Bin Laden tenha favorecido M. Harper...

Bom, para ilustrar este post, um cartaz que vi pelas ruas de um grupo de humoristas numa crítica sobre a campanha eleitoral. “Lhe prometemos a Lua” Partido dos Rinocerontes...ah, vai...muito fofo!