sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Georges faz 46 anos

No inverno passado eu  fui convidada pro aniversário de um amigo novo que fiz por aqui. Georges. Sem quase nenhuma intimidade, já que era amigo de amigo de amigo, fui lá pra ver no que é que dava.
A casa de Georges me lembrou a minha casa em Salvador. Paredes coloridas,  reproduções de quadros clássicos em toda as partes nas paredes e música. Musiquinha baixa, fácil brasileirinha.
Os amigos do Georges, uma graça. Alegres, abertos, prontos pra comentar sobre quase qualquer coisa. De cinema a receita de comida. De casamento gay às mais baixas temperaturas de inverno.
E foi assim,  depois de tanto tempo sem escrever no blog eu resolvi dar o ar da graça falando disso.  Porque quando estávamos prontos pra ir embora eu perguntei ao aniversariante  uma coisinha de nada:
“O que você, do alto das suas 46 primaveras diria pra quem ainda não chegou lá?  O que se deve abandonar no meio do caminho, o que se deve levar consigo por mais tempo?”
Georges, um professor de xadrez profissional diga-se de passagem,  me respondeu  depois de uns segundos de silêncio:
“Deixar de lado o que não te faz bem e levar consigo o que te faz.  Dar menos importância ao que falam de você. Não se deixar levar por pessoas e situações que não te fazem bem.”

Mas isso a gente já sabe né? Botar em prática já é uma outra coisa :P.  É um exercício constante. Às vezes se perde a mão e por isso deve-se ter compaixão. Autocompaixão mesmo.  Isso aqui já é coisa minha, pensamento meu . De quem tava distante das coisas que ama, se perdeu um pouco no meio do caminho mas agora que voltar de mansinho. Como a música baixinha tocando na  casa no dia da festa do Georges. Que ainda exercita os seus 46 anos!






quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sul - Maravilha I


Esqueça essa formalidade de pontos cardeais que aprendeu na escola. Isso de norte-sul-leste-oeste é conto da carochinha, conversa pra boi dormir. Mesmo assim eu coloco o mapa mundi pra ilustrar esse post – mera formalidade, viu?

                                              *Olha o mapinha do Canadá aqui no detalhe

Se, por estas meras ilustrações, vc entender que montrealzinha fica tão ao norte do equador  que ao sul dela está praticamente todo o resto do continente americano... fuééénnn, vc se enganou fe-i-o. Mesmo que ela pareça assim nortíssima e que todo o resto abaixo dela seja tecnicamente SUL não é assim que a banda toca não...
Para os nascidos aqui,  o sul começa na Flórida e não se fala mais nisso. De modos que, se vc vai à Nova Iorque, mesmo que ela esteja ao sul do Québec, como aliás diz o mapa.... é MENTIRA :).
Sei, ela tá  nos Estados Unidos, concorda? Que por sua vez tão ao sul do Canadá, correto? Não. Os EUA jamais serão sul antes de ultrapassarem a fronteira da Geórgia. A partir daí, sim serão sul, não mais Estados  Unidos.  São como água e óleo – ao menos para o quebequense.

Antes de cair na gargalhada, respire fundo e lembre-se de não julgar a cultura - ou preguiça - alheia  :)

Quer outra informação que vai mudar seu dia? Se vc vai à Europa, vc nunca vai para o Leste, assim como se vai ao japão jamais irá para Oeste – o voo para o oriente parte geralmente de Vancouver, oeste do país.  O único antagonista nessa fantástica liga da justiça geográfica e polarizada é o Grande Norte.
Um ermo branco onde vivem os inuits e outras etnias chamadas de primeiras nações – como os nossos índios eles também foram deixados à margem da sociedade. Onde preciosas explorações com um pé no desenvolvimento do Québec são empreendidas – parece um primo rico do PAC, lembra? Com o agravante de que as ofertas de emprego lá raramente se preenchem completamente, pq malandro nenhum quer ir né mané? :D – lugar fantástico onde vivem ursos polares e corujas brancas fofas.  O resto não tem uma etiqueta assim tão acentuada ;)

Então já sabe, hein? Quando numa conversa com um quebequense ele disser que ele vai pro sul ele tá se jogando pra Flórida e depois  assim, bem especificamente :P.
Onde tem o sol imaginário do tudo-é-permitido e do chamado exotismo. Xi... mas aí, já começa um mote pra um outro post!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Sorriso de Outono

             Voltando pra casa num lindo dia de chuva: vermelho-flor + amarelo-folha-caída + cinza-céu = sorriso de
             outono <3!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Cabeleira


Eu que mudo de ideia como muda de canal, transfiro essa instabilidade de geração Y  pros meus cabelos também. Tou  buscando de vez em quando uma  maneira de trata-lo, frizá-lo, desembaraça-lo ou não. :)
Assim fui descobrindo na belle province profissionais de responsa especialistas em cabelos crespos. O salão de Anta – a senegalesa de sorriso-simpatia; o salão Euforia do superatencioso Josh. Mas caí de  amores mesmo por um outro  que fica aqui mais pertinho do meu canto na cidade, o inHAIRitance.
As meninas são ótimas e beeem empenhadas em usar só produtos naturais nos cabelos pra realçar os cachos. A minha experiência começou com um agendamento para testar qual produto casaria melhor com meu cabelo. Sem deixá-lo pesado e com aspecto artificial, sabe? Fiquei quase uma hora em frente à uma penteadeira com uma gama enorme de produto sem-enxágue. Ela passava um tiquinho, amassava os fios com as mãos e logo molhava com spray de água pra em seguida usar outro produto novamente. Parecia que tava testando fragrâncias de perfume, só que em lugar dos grãos de café era a água que fazia a transição de produtos. No final, além do cabelo ficar com cheirinho de tudo o que é bom, ela finalmente elegeu o melhor pra meu tipo de cachos e eu levei um potão pra casa ;).
Na semana seguinte fui lá de novo. Desta vez pra cortar o picumã. Resolvi que vou cortar aos poucos até sair o produto desfrisante que eu usava e deixá-lo crescer pra ver até onde ele é capaz de ir #aenigmatica. Aí as meninas acabaram me sugerindo um twist out. Vocês também nunca tinham ouvido falar? É assim: lavaram meu cabelo depois dividiram em várias partes com várias trancinhas nele todo (molhado mesmo). Em seguida fiquei num secador estilo A Feiticeira por cerca de 30 minutos (ai meu coco #dramática). Com os cabelos secos elas desfizeram as trancinhas e o cabelo ficou cheio de macarrõezinhos fofos. Achei bom e durou uns bons dias. A previsão era de ficar cerca de uma semana, mas comecei a ficar agoniada e lavei logo a juba depois de três dias. ;)
No final das contas gostei do tratamento, da cordialidade e do papo das meninas. Bem fofas. O salão também é uma graça, pequenininho, charmoso e aconchegante. Enquanto elas vão me conquistando, eu vou me chegando. Até  descobrir um outro... né? :P.
Ah, a página deles no facebook: https://www.facebook.com/inhairitance.ca

As fotos dos cabelos naturais espalhadas pelo salão!

Olha que fofura essa menininha do lado do sósia do M Jackson!

Produtos e mais produtos!

A penteadeira mágica!

:P

É, eu tirei foto do lustre também...

O resultado!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Saint Louis Square ou Experiência antropológica : Praça



Et voilà é domingo. Ainda é tempo de ficar do lado de fora. Arrumo minha bolsa com sanduíches e panos pra largatixar na grama. Livros, cadernos e ... Saint- Louis Square aí vou eu.
Comparo Saint-louis square ao porto da barra #barristafeelings. De manhã cedinho lá pelas 6 matina, tava eu mergulhando no azul da baía. O cenário eu te conto: velhos com macarrões fazendo hidroginástica; bebês sorvendo os primeiros raios de sol curtindo uma vitamina D; profissionais do sexo se recolhendo depois de uma jornada de trabalho; esportistas correndo na areia, estudantes e surfistas desavisados.
Na praça São Luis – é, já aportuguesei o negócio – muitas tribos se encontram também. Velhos que leem o jornal e conversam com o tempo (afinal eles sabem das coisas); crianças que tomam a fresca enquanto o vento frio não chega pra por à prova a vida; adolescentes fumando maconha e matando o tempo; punks pedindo dinheiro no sinal.
Os punks aqui são os nossos meninos de rua. Ficam no sinal limpando para-brisa, pedindo dinheiro em troca. Posso estar enganada, mas penso que a diferença entre eles é que os punks daqui decidiram por um modo alternativo de vida. A sociedade assim como se apresenta não é coisa boa pra eles. Simples assim.
Nossos meninos são outra história – assim com H mesmo – por tanta coisa que há por trás disso, acho que mesmo que eles sejam empurrados pela vida, pela família desestruturada e questões de outra ordem não parece ser uma decisão espontânea e independente, né? É totalmente outra onda.
O mais importante é que a praça é democracia baiana pura! ;). Até uma ovelha desgarrada como eu tem lugar. Mesmo que bisbilhoteira, ao menos discreta, essa é a explicação para as fotos  saírem assim meio de longe. :).

Punks no jardim!
Velhos botando o papo em dia!
Olha lá, é um carrinho de bebê.
Esperando o sinal fechar pra fazer a caixinha.
Mais um "matador de tempo" profissional
Eu botando a leitura em dia :)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Chihuly!



Antes de ir à expo do Chihuly, deu uma googlada básica. Me deparei com um texto de 2008 cujo título é "Chihuly, arte ou decoração?".
Dei graças a Deus de não ser intelectual. Ele é belo e louco. Vivo como uma lagarta de fogo. Eu gosto.  
Sinto um desafio visual pra encontrar todas as belezas que ele traz pra gente. É vidro, plástico cor e liberdade!
Eu gosto.

De ver o líquido que com a ajuda do fogo toma formas imensas, a areia  ministrada com delicadeza e assertividade. Ë um trabalho monumental.
Parece ficar no sublime do controle das forças da natureza. As externas como o fogo e outros 3 elementos e as internas como a força humana da imaginação que nunca terá limites. A obra pronta é o esforço pra que essas potências se encontrem, se beijem e se amem. Desmedidas e mansas, explosivas e aromáticas. Sem que o espectador suspeite de nada. Nunquinha que o mistério será totalmente desfeito.

Me senti por vezes como num fundo do mar com as conchas espalhadas no teto de uma sala no museu. Num universo paralelo habitado por um primo distante de Dante Alighieri com o barqueiro à minha espreita para uma viagem de ácidos; numa caverna na Chapada Diamantina com estalactites azuis da cor do fundo da alma de uma criança; numa festa em um salão perdido no mundo de Atlântida, esperando um garçom me servir a melhor gim tônica.
Deu vontade de ser vidro também.
Eu gosto.







"Ä água é certamente a coisa que teve a influência mais determinante no meu trabalho, na minha vida e em tudo o que faço"(tradução livre).


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sorrisos de Verão III


No comecinho da tarde de hoje abri a porta do balcão dos fundos pra deixar o vento entrar. Como tarde quente pede água fria, fui pro banho. Voltando pro quarto dou de cara com um visitante ilustre: o gatinho da vizinha.
É que no inverno as portas ficam hermeticamente fechadas e a circulação felina é meio precária no quisito, digamos, intramuros. Sorte  minha que ainda é verão! Olha a fofura que apareceu na minha cama :) .



Dá ou não dá vontade de morder?